Um pouco do nada no meio de toda correria caótica da rua. Um pouco de escuro para apagar as luzes produtivas que cercam a cidade. Descendo a São Joaquim, ali está o templo budista, com suas telhas compridas e janelas opacas cercadas por uma grade vinho. Visto através das frias cercas de ferro, o ambiente pouco convidativo exibe suas colunas de pedra e pede um pouco de silêncio. Ao atravessar a porta que separa a espiritualidade do resto do mundo material, surge uma paisagem de flores, árvores, folhas caídas e cores alegres que dançam diante dos olhos.
Uma escada de madeira com degraus largos leva à sala de meditação. Sapatos largados na porta, o chão frio já de início indica uma experiência de disciplina. Tudo é silêncio, ele respira e transpira pelas calhas e embaça os vidros bem limpos. No escuro, é possível ver a silhueta elegante dos pilares, das esculturas e das prateleiras, que escondidas em um canto, abrigam uns poucos objetos esquecidos. O breu exibe uma aura dourada, de estátuas pintadas e do crepúsculo que se pode ver através das frestas das janelas.
O salão cheira a madeira e incenso. A calma e a paz dominam de tal forma, que por alguns minutos só há desespero, vontade de gritar e bater nos tambores. Necessidade de se movimentar, levantar, correr e falar. Mas os pilares grossos de madeira oprimem os desejos e calam uma última palavra, entalada na garganta e perdida no meio dos pensamentos. O silêncio escuro propõe o fim das atividades e preocupações desnecessárias. Surge apenas medo, medo sem fim da solidão que o barulho do silêncio provoca, da visão turva e sem movimento, do corpo inerte que imita cada pedaço do templo. As janelas e os pilares estão apenas ali, existindo. Só é preciso existir, também. Mas fica um medo infinito dos silêncios e escuros, medo de existir. Temor de não pensar, não precisar produzir para estar neste mundo.
Enquanto os pensamentos gritam desenfreados, todos os objetos têm seus olhos atentos, observando minuciosamente, para que não seja realizado sequer um movimento. O desespero e a necessidade de falar vão aquietando, acalmados pelo cheiro cítrico do incenso e acariciados pela almofada negra em cima do tatame. A mente começa a entrar, pouco a pouco, na dança estática das madeiras ao redor, com calmaria, gosto doce na boca e um arrepio que de repente surpreende a espinha. Nada mais importa. Só resta existir no silêncio, sem pensamentos ou desejos, deixando a mente branca e o corpo preguiçoso. Fica uma sensação de respirar o infinito, descobrir e entregar-se para o desconhecido. E ao abrir os olhos outra vez, as estátuas e prateleiras parecem ter mais brilho.
Ao voltar outra vez para rua, com suas luzes e carros e buzinas, os pensamentos novamente se perdem a correr da vista. O corpo move-se, porém ainda tem o ritmo do silêncio escuro do templo, com suas calmarias e elevações espirituais. Agora, é possível mover-se e falar. Mas não há mais o que ser dito, tudo é paz.
Uma escada de madeira com degraus largos leva à sala de meditação. Sapatos largados na porta, o chão frio já de início indica uma experiência de disciplina. Tudo é silêncio, ele respira e transpira pelas calhas e embaça os vidros bem limpos. No escuro, é possível ver a silhueta elegante dos pilares, das esculturas e das prateleiras, que escondidas em um canto, abrigam uns poucos objetos esquecidos. O breu exibe uma aura dourada, de estátuas pintadas e do crepúsculo que se pode ver através das frestas das janelas.
O salão cheira a madeira e incenso. A calma e a paz dominam de tal forma, que por alguns minutos só há desespero, vontade de gritar e bater nos tambores. Necessidade de se movimentar, levantar, correr e falar. Mas os pilares grossos de madeira oprimem os desejos e calam uma última palavra, entalada na garganta e perdida no meio dos pensamentos. O silêncio escuro propõe o fim das atividades e preocupações desnecessárias. Surge apenas medo, medo sem fim da solidão que o barulho do silêncio provoca, da visão turva e sem movimento, do corpo inerte que imita cada pedaço do templo. As janelas e os pilares estão apenas ali, existindo. Só é preciso existir, também. Mas fica um medo infinito dos silêncios e escuros, medo de existir. Temor de não pensar, não precisar produzir para estar neste mundo.
Enquanto os pensamentos gritam desenfreados, todos os objetos têm seus olhos atentos, observando minuciosamente, para que não seja realizado sequer um movimento. O desespero e a necessidade de falar vão aquietando, acalmados pelo cheiro cítrico do incenso e acariciados pela almofada negra em cima do tatame. A mente começa a entrar, pouco a pouco, na dança estática das madeiras ao redor, com calmaria, gosto doce na boca e um arrepio que de repente surpreende a espinha. Nada mais importa. Só resta existir no silêncio, sem pensamentos ou desejos, deixando a mente branca e o corpo preguiçoso. Fica uma sensação de respirar o infinito, descobrir e entregar-se para o desconhecido. E ao abrir os olhos outra vez, as estátuas e prateleiras parecem ter mais brilho.
Ao voltar outra vez para rua, com suas luzes e carros e buzinas, os pensamentos novamente se perdem a correr da vista. O corpo move-se, porém ainda tem o ritmo do silêncio escuro do templo, com suas calmarias e elevações espirituais. Agora, é possível mover-se e falar. Mas não há mais o que ser dito, tudo é paz.

